quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Monotomia de uma segunda-feira

Seria cômico, se não fosse trágico. Segunda-feira, um frio da peca, eu na rodoviária de Santa Maria esperando o ônibus para voltar para casa. Estava eu lá, parada, distraída, quando de repente vejo dois olhos me olhando fixamente, vindo em minha direção. Era um rapaz, funcionário da empresa de ônibus, no máximo uns 22 anos, gatinho até. Como não sou boba, nem nada, retribuo o olhar.
O ônibus chega. Eu entro. Para minha surpresa, o rapaz também. Me olha de novo, deixa uns pacotes, vira as costas e sai. Cara de sério. Fico na minha. Me ajeito na poltrona, ligo meu MP5 e começo a “viajar” nos meus pensamentos. Minutos depois, sinto os mesmos olhos fixados em mim. Olho. O rapaz, parado na porta, me olhando. Retribuo o olhar, e dessa vez, faço um doce, desviando-o em seguida.
Ele consegue assim despertar minha atenção. Passo então a cuidar seus movimentos dentro do ônibus. Após algumas indas e vindas à cabine do motorista, ele enfim se senta ao meu lado. Acho graça da situação. Parece coisa de filme adolescente. Confesso que fico meio sem jeito, envergonhada. Sinto-o me analisando pelo canto dos olhos. Ele coloca os fones no ouvido, e também começa a ouvir música.
De repente o ônibus para. Sobem passageiros. Ele levanta, me olha, e vai fazer a cobrança. Não consigo segurar o riso. Viro-me para a janela, e rio. Não consigo acreditar que estou flertando com o cobrador do ônibus. Sem preconceitos, mas é que não é muito a minha praia. Mas, o cara é gatinho, vamos dar uma chance.
Ele demora, o ônibus para novamente. Mais passageiros sobem. Um deles se senta ao meu lado. Fico com raiva. Lá se vai meu flerte por água a baixo. Pra minha surpresa, o homem desce uns 20 minutos depois. Ele volta a sentar ao meu lado. Fico sem jeito. Não olho. Nem de rabo de olho. Seguro o riso.
Ele levanta novamente. O ônibus para na rodoviária de uma cidade. Ele desce. A todo o momento, me olha lá de fora. Eu, idem. Diversas pessoas entram. Uma delas se senta ao meu lado. Fico desanimada. Menos de meia hora, a pessoa desce. Ele volta a se sentar comigo. Decido puxar papo. Pergunto algo. Ele responde. E então, não para mais de falar.
Mais uma rodoviária. Ele desce. Me olha. Dezenas de pessoas sobem. Nenhuma se senta ao meu lado. Ele vem, e senta. “Não quis descer pra tomar uma água?”, me pergunta, com a voz macia. Me faço de boba, olho com tudo, respondo que não. E começamos assim uma animada conversa. Fala bem. Sabe se expressar. Voz bonita. Desperta meu interesse mais ainda.
Os minutos vão passando, o meu destino chegando, ele me pede meu twitter. Acho estranho, normalmente as pessoas pedem o número do telefone, mas, vai saber. Passo meu twitter, msn e orkut. Ele promete me adicionar para mantermos contato. Acho graça. Nos despedimos, com a promessa de um contato futuro.
Chego em casa, penso nele, dou risada sozinha. Conto à minha mãe, rimos juntas e não penso mais a respeito. No outro dia, ao entrar nas minhas contas do msn e twitter, me deparo com o “stranger” do dia anterior. Perfil do twitter típico da idade. Sem muitos atrativos. Nada no orkut. Decido procurá-lo pelo nome. Segundo perfil da lista de resultados. Entro. Primeira informação que tenho, NAMORANDO! Acho graça.
Para variar um pouco, comprometido. Nos últimos tempos, só esse tipo que se aproxima de mim. Ok, meu interesse cai, mais da metade, mas ainda resiste. Espio o perfil do rapaz, pouca informação. Entro nas fotos. Desanimo totalmente. Acho que chutei alto os 22 anos. Fecho o orkut. Penso na descoberta. Analiso meus e-mails. Saio para comer com minhas amigas.

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